reflexão

A construção da autonomia: uma conquista para toda a vida – Parte 3/3

O ambiente de desenvolvimento sociomoral[1]

Inúmeros estudos indicam que as escolas influenciam de modo significativo a formação moral de crianças e jovens. Não devemos minimizar a influência da família, mas precisamos modificar a crença reducionista e cômoda de que a escola é impotente diante dela. A moralidade, como vimos anteriormente, desenvolve-se em estreita relação com o meio, dependendo da qualidade das relações sociais. Ora, se a criança e o jovem passam grande parte de sua vida interagindo dentro de uma instituição de ensino, desenvolvendo relações baseadas em normas, comportamentos e em conceitos ali estabelecidos, como ignorar a influência do ambiente escolar neste processo? Consciente ou não, a escola sempre atuará no desenvolvimento da moralidade de seus alunos. Contudo, ainda são poucas as que os conduzem em direção à autonomia.

Piaget considera que a autonomia não se desenvolve em uma atmosfera de autoridade, opressão intelectual e moral. Também não se dá por discursos, sermões, sanções, normas ou atividades estéreis. Ao contrário, para que ela ocorra, são fundamentais as vivências em situações de cooperação, liberdade de pesquisa, respeito mútuo e também a experiência de vida. É a partir dessas trocas que a criança desenvolve sua personalidade, percebendo aos poucos que as pessoas têm diferentes necessidades e maneiras de pensar e agir. Leia mais…

A construção da autonomia: uma conquista para toda a vida – Parte 2/3

O desenvolvimento da autonomia moral

Segundo a teoria construtivista de Jean Piaget, os valores morais são construídos a partir da interação do sujeito com os diversos ambientes sociais. Assim, a moralidade não se aprende por meio da transmissão verbal. Ela se desenvolve em estreita conexão com o meio social, num processo de construção contínua. Para Piaget, a questão da moralidade não reside somente no cumprimento de normas e regras, e sim nos motivos de as seguirmos. Assim, duas pessoas podem não furtar por motivos distintos. Uma, por medo de ser pega. A outra por entender que os objetos não lhe pertencem. Ambas não furtaram, mas a motivação foi muito distinta. É nessa motivação que reside o valor moral da ação.

A criança nasce na anomia, isto é, na ausência total de regras e leis. Mais tarde, aos 3 ou 4 anos, quando começa a perceber a si própria e aos outros, entendendo que há coisas que podem ou não ser feitas, torna-se heterônoma. No sujeito heterônomo, a fonte de obediência é exterior. Ele sente-se obrigado a obedecer às pessoas que considera dotadas de autoridade, submetendo-se aos valores de sua comunidade de acordo com as circunstâncias, com valores próprios pouco conservados, pois a regulação é externa. Isto significa que em alguns contextos, a pessoa segue determinados valores e em outros não. E como o que a regula são fatores externos, seu comportamento pode se transformar, quando os fatores externos mudam. Voltemos ao exemplo de quem furta. A pessoa que se regula pelo medo de ser pega (heterônoma) pode vir a cometer o delito na ausência de vigilância ou do medo de ser punida (fator regulador externo). Leia mais…

A construção da autonomia: uma conquista para toda a vida – Parte 1/3

Conversando com professores e pais percebemos um crescente sentimento de preocupação com algumas atitudes de nossas crianças e  jovens contrárias aos princípios morais. São relatadas condutas ofensivas como agressões, descaso, vandalismo, preconceito e humilhações. Muitos se perguntam o que pode ter levado uma criança   que parecia ter um “bom comportamento” a agir daquela maneira quando não estava sendo observada ou quando julgou que não seria punida.

A indisciplina dos alunos, além de interferir diretamente na qualidade do ensino, tem sido apontada, por diversos estudos, como um dos fatores de desmotivação com a carreira do professor. Como medida para contê-la, muitos defendem o policiamento intensivo e permanente dos alunos e a adoção de medidas mais duras em relação ao comportamento, incluindo expulsão ou comunicação ao Juizado da Infância e da Juventude. Outros sugerem a contratação de mais funcionários e a implantação de projetos de conscientização e valorização da escola, envolvendo pais, alunos e comunidade. Leia mais…

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