Resenhas Literárias SM

Por que elegemos “O dom da infância” como o livro do mês de Novembro?

O dom da infância
 
O dom da infância conta a história do artista africano Baba Wagué Diakité. Escrito em primeira pessoa, este texto autobiográfico narra os principais momentos da infância do menino, começando pelo início de sua vida na aldeia de Kassaro, no interior do Mali (noroeste da África). Depois, a história passa pela capital do país, Bamako, e chega aos Estados Unidos, onde o artista vai encontrar sua futura mulher.
Cultivada e transmitida de geração em geração, a habilidade de contar histórias é o “dom da infância”, como o título do livro indica. Baba é um contador de histórias, como muitos africanos. No livro, ele narra a própria história de vida, mas o faz por meio da técnica e da estrutura tradicional africana, incorporando a oralidade e a função pedagógica dos relatos ancestrais.
Os principais temas da narrativa são a importância das origens familiares e do modo de vida ancestral, a cultura oral daquela região africana e o contraste e as contradições entre o saber tradicional e o aprendizado escolar do menino.
As pessoas mais importantes na vida do artista são também personagens centrais do livro, como vovó Sabou, avó paterna de Baba, a mãe e o tio Sumaila. É a avó, especialmente, quem alerta para a importância das origens e da formação sólida que o menino recebe na aldeia e no convívio familiar. Baba conserva os saberes da sua aldeia, ajudando a mãe e atuando como contador de histórias.
No livro, Baba Wagué Diakité também retrata as transformações que a colonização francesa provocou na África Ocidental. Nas palavras do autor, foi “uma época confusa, que desorganizou famílias, em alguns casos obrigando-as a se separar”. E ele completa: “Mais de um século de ocupação europeia contribuiu muito para a extinção de culturas e tradições de uma geração inteira de africanos”.
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Por que elegemos “Fábulas de Esopo” como o livro do mês de Outubro?

Fábulas de Esopo reúne algumas das histórias mais conhecidas de um dos maiores criadores desse gênero. As narrativas trazem as características típicas da fábula: a linguagem simples, com frases curtas e diálogos diretos, e a reflexão moral sobre o comportamento humano feita por meio da fala e das atitudes dos animais, que aqui são os grandes protagonistas.
São textos como “A cigarra e as formigas”, “O leão e o rato” e “A águia e a tartaruga”, em que o comportamento dos bichos expressam vícios e virtudes, além de retratar de maneira poética os ritmos e as transformações da natureza. 
O interesse permanente das fábulas se deve ao conteúdo moral que elas expressam. Ao final de cada texto, há uma frase que resume o sentido filosófico e ético da história contada. Essa moralidade permanece atual, incitando à reflexão sobre valores como a amizade, a confiança, a dedicação, a humildade, a justiça e o respeito à natureza. 
As fábulas levam os leitores a perceber o conteúdo de injustiça, de soberba e de desigualdade que muitas vezes atravessa as relações entre as personagens. Assim, as narrativas permitem chamar a atenção para as desigualdades, provocar reações de indignação e persuadir a respeito dos comportamentos sociais mais recomendados. 
Originalmente, as fábulas eram contadas oralmente, por narradores anônimos. De geração a geração, as fábulas de Esopo foram se transformando e passaram por variações e diferenças, até ganhar forma escrita. Esopo viveu na Grécia, entre os séculos VII e VI a.C., provavelmente como escravo.
A origem do fabulista despertou o interesse da escritora sul-africana Beverley Naidoo. Como ela mesma explica no livro: “Hoje acho que Esopo era africano. Ele foi provavelmente capturado em algum lugar na África Setentrional e obrigado a ir para a Grécia. Seu nome soa como a antiga palavra grega para o negro africano: etíope. Alguns dizem que ele era tão sábio e perspicaz que seu mestre o libertou e ele se tornou conselheiro do rei.”
As ilustrações do livro são feitas em aquarela por Piet Grobler. Além de retratar de maneira divertida as personagens humanas e animais, elas utilizam elementos decorativos africanos nas molduras que enquadram as imagens.
 
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Por que elegemos “É assim” como o livro do mês de Setembro?

Neste livro, profundo e ao mesmo tempo singelo, o leitor iniciante é apresentado a temas como a passagem do tempo, a saudade dos parentes e amigos que se foram, a alegria proporcionada pelos nascimentos, o sentido da vida e seus limites.
É assim reúne personagens humanas e animais “que já partiram”, como Tia Margarida, o gato do vizinho e o peixe da sopa de ontem, e outras personagens “que ainda estão para chegar”. Assim, o nascimento, a morte e o mistério da existência são abordados no que eles têm de mais denso e desafiador: o desejo, a espera, a saudade e a tristeza, a memória e a esperança.
Os valores destacados pelo livro, como o amadurecimento e o autoconhecimento, permitem refletir sobre acontecimentos que, cedo ou tarde, farão parte da vida de todos os leitores. As ilustrações completam as páginas do livro, tornando a leitura agradável e compassiva.
A história escrita e ilustrada por Paloma Valdivia celebra a espera e o desejo, mas não deixa de abordar a tristeza e o lado ruim das perdas. Entretanto, ela o faz de maneira delicada, em uma narrativa colorida e poética.

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Por que elegemos “O ônibus de Rosa” como o livro do mês de Agosto?

O ônibus de Rosa conta duas histórias por meio de uma narrativa ilustrada que alia ficção a fatos históricos. Em terceira pessoa, a narrativa principal conduz o leitor e conta a visita que o garoto Ben e seu avô fazem juntos ao Museu da Ford, em Detroit, Estados Unidos. A outra história, que o avô conta ao neto, aborda acontecimentos verídicos e trata de uma das mais importantes atuações civis do século XX, protagonizada por uma mulher: Rosa Parks (1913-2005).
Nessa história real, contada dentro da moldura ficcional protagonizada por Ben e seu avô, o leitor é apresentado a um momento crucial da luta contra o racismo nos Estados Unidos durante a década de 1950. Uma mulher de 42 anos, moradora do estado do Alabama, a negra Rosa Parks, recusou-se a dar seu lugar no ônibus para um homem branco.
No livro, quem conta essa história é o avô de Ben, uma personagem fictícia que o autor coloca dentro da cena histórica. O avô leva o menino ao museu para conhecer o ônibus onde, em 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks desafiou a separação entre brancos e negros que vigorava no sul dos Estados Unidos.

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Por que elegemos “De cara para o futuro” como o livro do mês de Julho?

O menino Gabriel, 16 anos, acaba de perder o pai. Quando De cara para o futuro tem início, ele está ocupado com a dor da orfandade, com suas novas responsabilidades, a reação dos parentes, a solidão da mãe, dona Eulina, o casamento da irmã, Gilca, e a ausência do irmão, Ulisses, que fugiu de casa.
O garoto tinha posições políticas diferentes das do pai. Aliás, não gostava nada daqueles políticos amigos da família e dos correligionários. Todas as vezes que ouvia um discurso, sentia agonia. Mas agora que o pai morreu ele sente remorso e se pergunta: “Valeu a pena discordar do pai?”.
De cara para o futuro é a história de um menino na aventura da descoberta de si mesmo, com surpresas não apenas sobre a amizade e as novas relações familiares que surgem com a ausência paterna, mas também sobre a situação política brasileira. A narrativa se passa no interior de um estado do Nordeste, durante a década de 1960, quando o Brasil passava por um grave momento político: estava mergulhado na ditadura militar, instaurada pelo Golpe de 64. Leia mais…

Livros que abordam o tema “futebol” – sugestões para o trabalho em sala de aula

A proximidade da Copa do Mundo de 2014 e o fato de ela se realizar no Brasil pela segunda vez na história (a primeira foi a Copa de 1950) convidam a ler obras que têm o futebol como tema e que também vão além desse universo, conquistando diferentes leitores. Edições SM selecionou três livros que vão atrair os amantes do esporte e interessar o leitor que gosta de boas narrativas.
Agarra, goleiro é uma narrativa curta, direcionada aos leitores iniciantes. O livro conta a história de Pedro, um menino que era um ótimo goleiro, até o dia que tomou um frango (isto é, um gol que ele deveria ter evitado facilmente). A decepção e a vergonha que ele sente são enormes, fazendo-o se isolar em casa. Mas, aos poucos, Pedro vai descobrindo que pode voltar a jogar e se relacionar com os colegas. O livro propõe uma reflexão emocionada e poética sobre o desenvolvimento infantil e o comportamento moral, tanto individual como coletivo.
Prezado Ronaldo destina-se a leitores mais fluentes. É uma história divertida e empolgante, contada por meio das cartas que um menino de 12 anos envia ao jogador Ronaldo “Fenômeno”. Artur, ou “Pinguim” (o apelido do garoto), escreve ao seu ídolo para esclarecer um mistério: estariam os jogos de futebol sendo manipulados por um esquema internacional? Nas cartas ele também fala dos amigos, da menina que começa a paquerar e de sua paixão pelo futebol e pela literatura, pois ele quer ser jogador de futebol ou escritor.
O tema de Alguém tem que ficar no gol é a Copa do Mundo de 1950. O livro é narrado pelo garoto Fred, por sua mãe e por seu padrasto. A história conta como Fred vai arquitetar uma revanche da fatídica partida final daquela Copa, quando o Brasil perdeu para o Uruguai em pleno estádio do Maracanã. Para isso, o menino terá a ajuda de um “amigo imaginário” muito especial: o goleiro Barbosa, que foi responsabilizado pela derrota brasileira e carregou essa culpa pela vida toda. O livro fala também de pais separados e de temas como mudança, adaptação e superação.
Nada melhor para entrar no clima da Copa deste ano que conhecer um pouco mais da história desta Copa organizada pelo Brasil e embarcar nas três narrativas selecionadas pela SM para os amantes do futebol e da literatura.
 
Conheça os projetos de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esses livros.
Agarra, goleiro
Prezado Ronaldo
Alguém tem que ficar no gol

Por que elegemos “A cabeleira de Berenice” como o livro do mês de Abril?

Uma garota diferente chega à escola de Calunga, uma pequena cidade no interior de Pernambuco. Berenice chama a atenção dos colegas da 5ª série por sua postura desenvolta, pelo modo de falar, por usar óculos, gostar de poesia e pelas características físicas singulares: a pele muito branca e o cabelo cor de fogo. E, para surpresa dos colegas, além do material escolar, ela carrega pedras na mochila.
Mas é a espalhafatosa cabeleira vermelha de Berenice que causa o maior rebuliço. Rejeitada por um grupo de alunos da escola, ela é vítima de um abaixo-assinado contra seu cabelo e sofre com as chacotas das outras crianças.
Entretanto, Berenice conquista o coração do menino João Batista, o craque do futebol no local. No primeiro dia de aula, um encontrão nos corredores da escola vai aproximá-los.
Os dois se encontram novamente fora da escola quando, certo dia, o motor do caminhão do pai do menino ferve no meio da estradinha que liga Calunga a Camiri. João toca a campainha de uma casa, pois precisa de água para o radiador do veículo, sem saber que era a casa de Berenice. Convidado a entrar, ele afinal entende o mistério das pedras: a menina tem uma coleção delas (cassiterita, quartzo rosa, hematita, manganita, topázio e turquesa) porque o pai é garimpeiro na serra do Bom Futuro, no estado de Rondônia (RO).
Esta narrativa bem-humorada e reflexiva da escritora Leusa Araújo transforma as fictícias cidades de Calunga e Camiri em um microcosmo para discutir temas importantes da atualidade, questões afetivas e problemas da realidade social.
Além da história das personagens que vivem na cidade e dos alunos da escola, como Júnia Maria, Antônio, Clarice, Lurdinha, Dina, Anselmo, Dulcinda e Dedé, o livro é uma narrativa sobre manifestações culturais, como a música, o futebol, as feiras e festas populares (o São João), danças (o maracatu), a literatura e a poesia – elementos que aparecem ao longo da narrativa, integrados à trama.
A leitura de A cabeleira de Berenice propõe reflexões sobre a aceitação das diferenças, os julgamentos apressados, as desigualdades regionais e, por meio do tema do garimpo, sobre as ilusões do enriquecimento rápido. 
 
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Por que elegemos “Festa da Taquara” como o livro do mês de Março?

O povo Kalapalo está entre as 16 etnias que vivem na Terra Indígena do Xingu (TIX), norte do Mato Grosso, quase fronteira com o Pará. Este livro conta a história de uma de suas principais cerimônias, a Festa da Taquara. Nesta verdadeira celebração da alegria, indígenas de todas as idades cultuam a música e o instrumento que dá nome à festa: a taquara, uma espécie de flauta que originalmente era feita de bambu.
A narrativa, elaborada com base na vivência da própria escritora, apresenta o indiozinho Tarumã e do casal anfitrião, Jaramá e Jakulu, além de outras personagens da aldeia. Fabiana Ferreira Lopes morou no Xingu e conviveu com os Kalapalo. A autora também fez as fotos do livro. Elas mostram alguns dos principais momentos da festa, em sintonia com os costumes da tribo. Isso torna a experiência ainda mais envolvente, pois o leitor se sente perto da realidade dos índios e parte da celebração. Leia mais…

Por que elegemos “Eu primeiro!” como o livro do mês de Fevereiro?

O relacionamento entre irmãos nem sempre é marcado por amizade e harmonia. Muitas vezes a disputa e a competição, além do ciúme, tomam conta do dia a dia e fazem com que as crianças adotem um comportamento agitado, dispersivo e irritadiço. A relação conturbada, mas afetuosa, entre dois irmãos é o tema de Eu primeiro!, da escritora Gabriela Keselman.
O livro conta uma história divertida e cheia de suspense em que Nico e Hugo disputam uma corrida, logo depois de acordar. Os dois irmãos saem em correria pelos cômodos da casa e o leitor acompanha, curioso, o percurso para ver onde eles vão parar. As ilustrações traduzem a leveza e o ritmo da história, e até mesmo o texto parece adquirir a trepidação da narrativa: algumas frases são impressas na diagonal (como se tivessem sido jogadas para o alto) e certas palavras (como “escorrega” e “melhor”) são distorcidas visualmente para acompanhar os movimentos dos dois irmãos.
Em sua corrida, Nico e Hugo aprontam com os animais domésticos (uma gata e um cachorro), derrubam o lixo, jogam água um no outro, saltam o cesto de roupas sujas, passam pela sala de TV. Depois de muita confusão, finalmente chegam ao destino: o abraço da mãe, no jardim da casa.
A narrativa chama a atenção para a importância do afeto, da diversão, da fantasia e da atenção materna na rotina das crianças. De maneira espirituosa e lúdica, o livro também oferece uma reflexão sobre uma bem-vinda competitividade fraterna, que é natural na vida das crianças e pode ser saudável quando bem acolhida e orientada pelos adultos.
O livro mostra que o respeito pelo outro e uma boa convivência familiar e social não precisam excluir a diversão, a imaginação e a energia próprias da infância. 
 
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Por que elegemos “O mundo flutuante” como o livro do mês de Janeiro?

Os modismos não são necessariamente ruins, ainda que o termo seja pejorativo: remete à ideia de apego à frivolidade das modas, sempre passageiras. Mas às vezes as ondas podem trazer algo que fica, que é mais consistente ou que pelo menos não se limita a tirar o máximo de proveito comercial enquanto não é submergido pela próxima vaga. Com a saga Crepúsculo e seu sucesso mundial, potencializado pelo cinema, multiplicaram-se narrativas que retomaram o vampiro – um dos mitos modernos mais recorrentes e fortes, sintetizado pelo escritor irlandês Bran Stoker (1847-1912) no romance Drácula, também (e diversas vezes) adaptado para a telona. A diferença dos vampiros de hoje é que eles foram, digamos, domesticados. Há agora “vampiros do bem”, que não sugam sangue humano, que são bondosos, capazes de amar simples mortais e de se sacrificar pelos que antes seriam suas vítimas. Vampiros que combatem outros vampiros – estes, “do mal”, demoníacos, essencialmente perversos – e que, no fundo, são tão humanos quanto nós, apesar ou justamente por causa das diferenças. Em O mundo flutuante, de Carlo Frabetti, livro do mês escolhido pela SM, a princípio a história parece repetir, em versão juvenil, o que se vê atualmente nessa revitalização do vampiro: Bia, uma menina miúda de onze anos, que pelo tamanho parece ter menos idade, foge de casa após mais uma sessão de violência doméstica – seu pai sistematicamente espanca sua mãe. A cena inicial se passa à noite, num parque, onde, sozinha e perdida, ela é salva de um assalto por um magro, alto, pálido e enigmático homem de preto. Leia mais…

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