Copa do Mundo

Atividade para a sala de aula
 
Introdução
 A Copa do Mundo, segundo afirmou Kofi Annan[1], ex-secretário-geral da ONU: “[…] Como único jogo realmente global, praticado em todos os países, por todas as raças e religiões, é um dos poucos fenômenos tão universais quanto as Nações Unidas. Podemos até dizer que é ainda mais universal”.
A Copa do Mundo é um evento que tem grande poder de agregar. Além disso, é um jogo em que vence a soma dos talentos, a coesão e o trabalho em equipe. No futebol, é preciso unir esforços em torno de um objetivo comum, e essa será a tônica deste trabalho.
 
[1] Annan, Kofi. Como invejamos a Copa do Mundo. Folha de S.Paulo, 9 jun. 2006. Tendências e debates.
 
Primeiras ideias 
A brincadeira de tocar a bola com os pés, driblar o parceiro, fazer gol, nascida na Inglaterra, cruzou oceanos, ganhou o mundo e virou paixão nacional brasileira. Tornou-se tão nossa que até nos esquecemos de suas origens.
O Brasil se autodenomina o país do futebol e assim o é. Somos a única nação a participar de todas as edições da Copa do Mundo desde 1930 e a vencer cinco das dezenove competições mundiais, ocorridas em 1958, 1962, 1970, 1992, 2002. Em 1958, com apenas dezessete anos, Pelé fez seu primeiro gol numa Copa do Mundo.
A ideia de transformar um torneio olímpico de futebol amador num mundial nasceu na França. Em 1928, a ideia foi aprovada no Congresso da FIFA, em Amsterdã, e coube ao Uruguai, no centenário de sua independência, organizar sua primeira edição. Foi assim que Montevidéu se tornou a cidade-sede da primeira Copa do Mundo, a Copa de 1930, que contou com treze países participantes, quatro deles europeus (Bélgica, França, Romênia e a antiga Iugoslávia) que, para tomar parte na competição, cruzaram o Atlântico num navio; as outras equipes eram do continente americano, entre elas estavam Estados Unidos e México. Uruguai disputou a final com a Argentina e levou para casa a primeira Taça do Mundo.
A partir de então, a cada 4 anos, os jogos da Copa do Mundo acontecem em um país diferente. O último mundial foi sediado na África do Sul.
Neste ano de 2014, o Brasil é o país-sede dessa gigantesca competição. Pelas ruas de nossas cidades transita o mundo, com sua beleza e diversidade. Línguas e culturas diferentes se encontram com a mesma esperança: levar para seu país o troféu da Copa do Mundo. 
 
Refletindo sobre valores
Apesar dos interesses financeiros e políticos que envolvem o mundial, a Copa é um evento em torno do qual as nações se agregam. O futebol é mais que um jogo, tornou-se uma linguagem universal; nela, homens e mulheres, crianças e jovens, ricos e pobres, letrados e não letrados se encontram.
Abordar o tema Copa do Mundo na escola é abrir um baú de oportunidades para explorar valores, como diversidade cultural, trabalho em equipe, responsabilidade pelo outro, confiança, respeito, honestidade. Ideias como passar a bola, vestir a camisa, sentir-se equipe somam-se ao princípio de que somos mais fortes quando estamos juntos, quando compartilhamos ideias, inquietudes, sonhos, desejos… Pois, “sonho que se sonha só é só um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade”. (Prelúdio, Raul Seixas)
A Copa do Mundo é também momento para trabalhar a autoestima, para sentir-se povo, amar a pátria, orgulhar-se de nossa cultura, nossas riquezas, nossa gente.

 

Atividade coletiva

 Roda de conversa:
A ideia da roda de conversa é fazer um levantamento diagnóstico do que os alunos conhecem a respeito do tema, suas visões, conceitos e preconceitos e, a partir de onde se encontram, ampliar os conhecimentos.
Comece com uma proposta que pode ser mais ou menos assim: o que é a Copa do Mundo? De quanto em quanto tempo acontece? Qual foi o país-sede da última copa? Quem foi o vencedor? Como devemos tratar os visitantes? A conversa deve ser mediada com perguntas do tipo: Onde? Por quê? Como? Quando? Registre as falas em uma folha de papel e deixe-a em exposição no mural.
Aproveite o clima e construa com eles um cartaz das cidades brasileiras onde estão ocorrendo os jogos, localize-as no mapa e converse brevemente sobre cada uma.
Encaminhe uma pesquisa com o tema Nossos visitantes. Organize a turma em grupos. Cada grupo ficará responsável por trazer dados de um país visitante (nome, localização geográfica, característica física, curiosidade, comida típica, cidades brasileiras onde a equipe já competiu ou competirá, nome da equipe rival, data do jogo). Não se esqueça de incluir o Brasil como país anfitrião.
No dia combinado, cada grupo apresenta o cartaz sobre um país. Deixe o material em exposição. Com os dados obtidos na pesquisa, construa com eles uma tabela dos jogos, que também poderá ser exposta.
Para concluir os trabalhos, convide-os a ver o curta Uma história de futebol. Direção: Paulo Machline. Brasil, 1998 (21 min). O filme concorreu ao Oscar e conta passagens ficcionais da infância de Pelé. O roteiro foi baseado em um livro infantil homônimo de José Roberto Torero.
 
Explore o filme:
  • > O que a história conta? Quem eram as personagens? Foi fácil para Pelé fazer parte do time? Por quê? Que semelhanças e diferenças podemos notar entre o futebol daquela época e o futebol hoje? Encaminhe uma pesquisa para ser feita com os avós, pessoas mais velhas da família ou amigos: quem eram os jogadores da seleção brasileira nas Copas de 1958, 1962, 1970, 1992, 2002? Que jogadores participam da seleção em 2014?
  • > Problematize: nos jogos da Copa, a seleção brasileira enfrenta os melhores times de cada país. Que atitudes os jogadores precisam ter em campo para ganhar a Taça do Mundo? Depois da conversa, estenda um papel Kraft no chão e peça que escrevam uma mensagem aos jogadores da seleção.
Você sabia?
 No início, o futebol era um esporte só para homens brancos. Para participar dos times, os jogadores de descendência afro tinham de usar toucas para esconder o cabelo e cobrir a pele com pó de arroz para disfarçar a cor.
O Vasco da Gama foi o primeiro time brasileiro a admitir jogadores negros na equipe.

 

Sobre valores e atitudes
Dê ênfase para temas como confiança, senso de equipe, coragem e persistência que um jogo de futebol exige.
Mostre aos alunos que uma boa equipe é formada pelo brilho pessoal de cada jogador. Cada um tem seu lugar e deve ser muito bom no que faz para que o time conquiste a vitória almejada.

 

Sistematizando
  • > Para que compreendam as ideias de confiança e senso de equipe, trabalhe com duas dinâmicas: na primeira, organize a turma em duplas. Um dos integrantes da dupla ficará com os olhos vendados e caminhará por um espaço previamente delimitado pelo professor, conduzido pelo amigo que está com os olhos livres. Depois do percurso, invertem-se os papéis. Após a vivência, converse sobre como se sentiram. Termine com um texto “Confiança para mim é…”.
  • > Para trabalhar o senso de equipe, a responsabilidade de cada um na construção do todo, use a dinâmica do novelo de linha. Organize o grupo num círculo. Diga-lhes que juntos vão tecer uma teia, parecida com a da aranha. Para fazê-la, ao receber o novelo de linha, devem escolher um colega e dizer algo que admiram nele e, em seguida, fazer com que o novelo chegue as suas mãos. Cada pessoa do grupo pode receber o novelo só uma vez e também não pode soltar a ponta da linha que ficou em suas mãos quando recebeu o novelo. Ao final, terão construído uma bonita teia. Explore: Como se sentiram? Foi fácil construí-la? Seria possível fazer a teia se alguém decidisse não passar o novelo? E o que aconteceria com a teia se algum deles não segurasse sua ponta?
  • > Para concluir, construam juntos os princípios do trabalho em equipe.
Saiba mais
* 1958 – o ano em que o mundo descobriu o Brasil. Direção: José Carlos Asbeg. Brasil, 2008 (1h 30min).
O filme resgata os bastidores da Copa de 1958. Traz entrevistas com ex-jogadores, incluindo os suecos, derrotados na final.
* A Copa. Direção: Khyentse Norbu Rimpoche. Tibet, 1998 (1h 34min).
 O filme conta a história de um grupo de monges que perde o foco dos afazeres religiosos durante a Copa do Mundo de 1998.
* Os trapalhões e o rei do futebol. Direção: Carlos Manga. Brasil, 1986 (1h 30min).
 
Referências
 Annan, Kofi. Como invejamos a Copa do Mundo. Folha de S.Paulo, 9 jun. 2006. Tendências e debates.
 
Rodrigues Filho, Mario. O negro no futebol brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.
Há um site que oferece uma sinopse da obra. Disponível em: <http://www.livrosdefutebol.com/catalogo_detail.asp?cod_produto=4>. Acesso em: 4 jul. 2014.
Share this:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Digite seu nome, e-mail e um comentário.

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>