Por que elegemos “A cabeleira de Berenice” como o livro do mês de Abril?

Uma garota diferente chega à escola de Calunga, uma pequena cidade no interior de Pernambuco. Berenice chama a atenção dos colegas da 5ª série por sua postura desenvolta, pelo modo de falar, por usar óculos, gostar de poesia e pelas características físicas singulares: a pele muito branca e o cabelo cor de fogo. E, para surpresa dos colegas, além do material escolar, ela carrega pedras na mochila.
Mas é a espalhafatosa cabeleira vermelha de Berenice que causa o maior rebuliço. Rejeitada por um grupo de alunos da escola, ela é vítima de um abaixo-assinado contra seu cabelo e sofre com as chacotas das outras crianças.
Entretanto, Berenice conquista o coração do menino João Batista, o craque do futebol no local. No primeiro dia de aula, um encontrão nos corredores da escola vai aproximá-los.
Os dois se encontram novamente fora da escola quando, certo dia, o motor do caminhão do pai do menino ferve no meio da estradinha que liga Calunga a Camiri. João toca a campainha de uma casa, pois precisa de água para o radiador do veículo, sem saber que era a casa de Berenice. Convidado a entrar, ele afinal entende o mistério das pedras: a menina tem uma coleção delas (cassiterita, quartzo rosa, hematita, manganita, topázio e turquesa) porque o pai é garimpeiro na serra do Bom Futuro, no estado de Rondônia (RO).
Esta narrativa bem-humorada e reflexiva da escritora Leusa Araújo transforma as fictícias cidades de Calunga e Camiri em um microcosmo para discutir temas importantes da atualidade, questões afetivas e problemas da realidade social.
Além da história das personagens que vivem na cidade e dos alunos da escola, como Júnia Maria, Antônio, Clarice, Lurdinha, Dina, Anselmo, Dulcinda e Dedé, o livro é uma narrativa sobre manifestações culturais, como a música, o futebol, as feiras e festas populares (o São João), danças (o maracatu), a literatura e a poesia – elementos que aparecem ao longo da narrativa, integrados à trama.
A leitura de A cabeleira de Berenice propõe reflexões sobre a aceitação das diferenças, os julgamentos apressados, as desigualdades regionais e, por meio do tema do garimpo, sobre as ilusões do enriquecimento rápido. 
 
Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.
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