Por que elegemos “A filha do Rei” como o livro do mês de Julho?

O Dia dos Pais é uma ocasião em que se dizem tantos lugares-comuns, tanta mesmice, tanta banalidade, tantas “palavras bonitas” que, enfim, nada é realmente dito. Pelo menos nada que realmente fique. Como ficam, nesses discursos previsíveis, famílias sem pai ou sem mãe, com filhos de outros casamentos ou com pais ou mães homossexuais? Nada como a boa literatura, portanto, para pensar de outro modo aquilo que é sempre visto de maneira igual. A filha do Rei é uma forma criativa e instigante de encarar a relação entre pais e filhos. Comovente, enternecedora e cativante, essa história narrada em primeira pessoa retrata uma família diferente, fora do que é tido como “ideal”, “normal” ou “correto”. A narradora é Raquel, menina em torno dos 8 anos de idade que vive com a mãe, Maria Aparecida – funcionária de uma creche e faxineira –, numa favela próxima a um córrego que às vezes inunda sua casa. Desde muito cedo sua mãe lhe ensina que é “filha do Rei” – um pai que, entretanto, ela nunca vê, mas sente. Sobretudo a sua falta. E dele se orgulha muito – afinal, é um rei. E sai dizendo isso para todo mundo, o que às vezes lhe traz aborrecimentos, principalmente a gozação por parte de alguns colegas de escola. Até que um dia, por conta própria, e às escondidas da mãe, acaba falando com o tal Rei – e descobre, afinal, que ele é um homem comum, o Reynaldo, pai de outros tantos filhos, que nunca viveu com Maria. No final, Maria acaba se casando com outro homem que, aos poucos, vai se tornando pai de Raquel: “Sentava do meu lado pra ver a lição, contava histórias de quando ele era pequeno, me levava ao parquinho pra brincar e até ao circo”. Assim, A filha do Rei propõe pensar sobre a relação entre pai e filho, que não é um simples dado da natureza, mas uma construção que se faz no cotidiano, por meio de gestos, da presença diária e participativa da figura paterna na vida da criança. O livro é também uma lição contra o preconceito, revelando aspectos do viver na favela – repleta de atribulações e carências, mas nem por isso humanamente menos rica e intensa do que a vida no asfalto.

Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.

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