O livro didático e o projeto pedagógico da escola

Nesta época de escolha dos novos livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), fico observando a intensa movimentação das editoras, do Ministério da Educação (MEC), dos autores. Afinal, o PNLD é o maior programa de distribuição de livros didáticos do mundo, isto mesmo, do mundo! E um programa que não é mais deste ou daquele governo, mas do país Brasil. O PNLD alcançou o status a que todas as políticas públicas devem chegar: ser um programa que atravessa os governos, que não é do partido A ou B e, por isso, segue sendo aperfeiçoado e melhorado.

Mas algo me preocupa.  Ao longo dos anos (e fui professora da rede pública de ensino da cidade de Belo Horizonte de 1984 a 2001) fui percebendo que o envolvimento dos professores na escolha dos livros não é tão forte e entusiasmado como deveria ser. Muitas vezes pergunto ao professor(a) quais os livros adotados na escola onde ele ou ela trabalha e ele(a) até diz o título. Eu insisto e pergunto novamente (sempre fui muito “perguntadeira”) sobre o processo de escolha e ouço respostas como: ah, nem sei, não fui à reunião… sei lá quem escolheu, acho que foi o diretor… a coordenação pedagógica indicou e aceitamos a sugestão deles…

Esse posicionamento me mostra que o processo de escolha dos livros foi descolado do Projeto Pedagógico da Escola (PPP). Ou, pior, a escola tem um PPP, mas que não orienta, concretamente, o trabalho e as decisões profissionais do(a) professor(a).

E qual o problema? Ora, o PPP é o documento que impede que o trabalho docente seja feito “amadoramente”. Se o projeto da escola é real, foi escrito por diferentes mãos e de maneira democrática, ele acontece mesmo. O professor sabe o que deve fazer, como ensinar, como avaliar se o estudante aprendeu, e o mais importante, como agir caso seu aluno não tenha aprendido. As escolas que garantem o direito de aprender para todos são escolas onde o PPP é real, concreto, verdadeiro. E nessas escolas a escolha de todos os materiais didáticos é feita de maneira crítica e com o envolvimento dos profissionais da educação. Um corpo de profissionais com formação sólida e projeto pedagógico consistente, sabe que filmes, livros, obras complementares, objetos digitais, todo o material escolhido fará sentido e contribuirá para que o processo ensino-aprendizagem seja consistente, constante e para todos.

Se os profissionais da escola não “estão nem aí” ou recebem escolhas impostas de cima para baixo, ou a escola não tem um PPP que seja o eixo vertebrador das escolhas e decisões pedagógicas do grupo ou cada um tem o seu projeto, é o mesmo que não ter.

O momento de escolher o livro deve ser um momento formador, que faça o grupo refletir sobre o PPP e como ele está indo, que se avaliem os resultados e o próprio material didático.

É o momento de o grupo de docentes mostrar seu grau de formação, autonomia e opções pedagógicas. E mesmo que subjetivamente, mostra o envolvimento e o compromisso do grupo com a aprendizagem de todos os estudantes.

Maria do Pilar Lacerda
Diretora Fundação SM
Ex-secretária da Educação Básica do MEC
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24 Comentários para O livro didático e o projeto pedagógico da escola
  1. Miriam da Costa Pinto Responder

    Concordo com todas as questões colocadas em seu texto.
    Os descaminhos da Educação no Brasil ainda são maiores do que toda a evolução de um PNLD e da concepção coletiva e democrática de um PPP, compromissado com as inúmeras realidades deste imenso país.
    Temos muito por fazer, muito por aprender e muito por sonhar, sonhar com uma nova realidade educacional e social em nosso país.
    Grande abraço
    Miriam da Costa Pinto

  2. Williams dos Samtos Marinho Responder

    Realmente seu comentário é bastante verdadeiro.
    Muitas escolas que visito,sempre que eu comento,
    sobre PNLD,muitas diretora(o)s,coordenador(a)ou
    mesmos professora(e)s,não sabem o que significam.Muitas vezes tem que parar para expli-
    car com muita cautela.Infelizmente uma vergonha
    para a nossa EDUCAÇÃO.Abraços.

  3. neuza Responder

    Oi. gostaria de deixar meu comentário um pouco crítico sobre os livros didáticos dos últimos anos: Cada vez mais os nossos livros não cativam nem professor nem aluno! Os textos são extensos demais e muito pouco exercício de gramática e ortografia. Falo com as minhas colegas e todas elas reclamam da mesma coisa. “Como eram legais os livros dos anos 90! Feliz de quem os guardou!”

  4. Bartolomeu R. de Miranda Responder

    Concordo plenamente com o pensamento apresentado no texto, infelizmente esta é a realidade da nossa educação. Educação que tem um objetivo de atingir em pouco tempo o nível de qualidade dos países considerados de primeiro mundo.

  5. Katia Responder

    Estamos na fase de escolha dos livros, porém as opções de escolha não agradou o corpo docente. Acho que não deveria ser imposto, mas o corpo docente deveria em consenso indicar os livros que gostariam de trabalhar. Já abdiquei do livro didático há algum tempo por acha-lo demasiadamente impróprio pra trabalhar. As editoras deveriam atualizar os textos e atividades em conformidade com a tecnologia e os alunos que temos hoje.

  6. Joseni Responder

    Concordo com a temática em discussão.

    Embora, gostaria que as editoras direcionasse os livros direto para os professores cadastrados e interessados na escolha dos livros didático.
    Pois já aconteceu em minha escola, por falta de compromisso e responsabilidade da direção escolar a distribuição e apresentação dos livros para tal escolha pedagógica. Dessa forma, recebemos os livros sem o direito de escolha.
    Gostaria de receber exemplares dos livros por esta instituição apresentadas do 6º ao 9º Ano, das disciplinas de: Inglês, Português e Matemática.

    se possível for, envie para o endereço:
    Joseni Santos Caetano,
    Rua Ulisses Guimarães, 31 – Centro -
    Apuarema – Bahia. CEP 45.355-000

    Fico muito grato pela atêmção.

  7. Marcelo Gomes Responder

    Parece que o que vai dar rumo à educação brasileira são bons escritos, PPP bem escrito, planos de aulas bem escritos e por aí vai. Não digo que isso não seja necessário, pelo contrário, mas há um fechar de olhos para problemas sérios. Quero citar alguns: A grande maioria dos pais de meus alunos não se importam se seus filhos vão à escola para aprender; não há nenhum acompanhamento da vida escolar dos mesmos. Se a criança não é ensinada a dar importância aos estudos, o que esperar delas em sala de aula? Por trás de todo aluno dedicado aos estudos há uma família incentivadora e que sabe que o a educação vai representar na vida do filho. Salas muito cheias. Faculdades ruins que formam péssimos professores. Salário baixo que não atrai profissionais bem qualificados, Falta de compromisso dos governantes com a educação. Posso estar exagerando mas a educação não produzirá resultados esperados do mesmo jeito que não dá resultado tentar tratar de um paciente com câncer em posto de saúde. Acredito que a educação pode oferecer o que dela se espera, mas enquanto pensar que a responsabilidade de toda ela é passa apenas pelo professor, não sairemos desse infeliz buraco que estamos metidos. A todos os envolvidos na educação muita paz.

    • Geraldo J Loss Responder

      Marcelo, muito pertinentes suas colocações. Hoje somente o professor é o “para-choque” de toda a falência da Educação, gerida por maus gestores, geralmente colocados através de indicações eleitoreiras.
      É crítica a situação da educação brasileira. Precisa ser passada a limpo juntamente com seus profissionais num todo.

  8. Siloé Salvador de Cristo Responder

    É lamentável que as escolas municipais de São Luís de Quitunde – AL não tenham PPP, os professores trabalham sem rumo. E mais, nem se quer ouvimos falar em PPP, apesar da sua tamanha importância para escola e para o Município.

  9. Artamilce Maciel Teixeira Responder

    Uma reunião com os professores pra escolha do livro didático é de fundamental importância, e na escola onde eu trabalho sempre reservamos um dia para esse trabalho ser desenvolvido. A escola CMES Professor José Rebouças Macambira marca um dia não só pra nossa escola como também para o anexo.

  10. Rita Responder

    A escolha nas escolas onde leciono são de comum acordo de professores de área. É verificado o nível de acesso a informação do aluno, ao nível de aprofundamento do livro, e a disposição de trabalho dos professores. É muito bom termos esse material em mãos com antecedência para fazermos a escolha correta diante de cada realidade escolar.

  11. Dalgima Ferreira Responder

    Gostaria de receber o livro de filosofia,´, sou profesora da, escola E.E. canuto Duval ….. moro na rua Brarão do Bananal 450 apt. 11

    grta, Dal

  12. Madoka Matsumoto Responder

    Concordo com as suas considerações. Todavia, hoje em dia o que ocorre é uma grande confusão imposta de cima para baixo, sim. Na nossa escola, por exemplo, que é considerada uma das melhores da região, está havendo uma regra muito injusta para professores de Inglês, principalmente. Já tivemos duas professoras que por ter tido problemas de saúde graves, foram afastadas das salas de aula, um professor de Inglês que passou a ter síndrome de pânico e outra que veio substituir tirou licença médica por perder a voz. E eu mesma, como não consigo fazer com que os alunos sentem nas carteiras, e eles não se dispõem a me ouvir o que eu digo, ando muito cansada de tanto inventar novas estratégias na tentativa de cativar esses alunos, porém sem resultado. Enquanto o sistema permitir que os alunos devem ser aprovados mesmo tirando zero o ano inteirinho em até duas disciplinas, seremos vítimas do sistema e nada conseguiremos, pois os alunos acham que podem deixar de lado duas disciplinas e então bagunçam para inviabilizar as aulas para se desculparem dizendo que a professora não explicou direito, quando na verdade, o professor se esforça muito, mas o erro vem do sistema. Era só obrigar os alunos a estudarem para exame de fevereiro do ano seguinte para aqueles que não conseguirem tirar nota mínima para passar, seja de que disciplina for, deixando a cargo da família para se responsabilizarem em fazê-los estudar em dezembro e janeiro. Tirar as férias da família, portanto, pois a escola já trabalhou em cima desses alunos o ano inteiro, oferecendo recuperações contínuas, convocado os responsáveis várias vezes sem ser atendida. Se nesse exame de fevereiro não conseguirem tirar 50% da nota, deviam fazer de novo somente essas disciplinas que não aprenderam e somente após conseguirem comprovar o seu aprendizado delas, poderiam prosseguir com todas as outras disciplinas da série seguinte. Assim, eles levariam mais a sério todas as disciplinas e não ficariam escolhendo quais eles vão atender ou não. Com o sistema atual, esses alunos não obedecem ninguém da escola, sabendo que nada vai acontecer com eles, uma vez que os responsáveis (pais) não os acompanham na vida escolar e não vêm para escola, pois nunca respondem ao telefone e justamente esses alunos não entregam o papel de convocação para pais e a escola não possui funcionário suficiente para levar a convocação até a residência. Felizmente, não são todos. Há bons alunos, que dá até dó de tanto serem atrapalhados por esses, cujos pais não dão a mínima atenção e estes abusam da nossa boa vontade. Hoje, a tirania dos alunos está de tal forma, que não há saúde dos professores que aguente, daí a falta de aprendizagem. Eu pelo menos, preparo bem as aulas, trabalho muito, mas como os alunos gritam muito, brigam entre eles quase o tempo todo e eu perco o tempo todo tentando conseguir ordem na sala e tenho de pedir silêncio minuto a minuto, tudo fica truncado e não há possibilidade de passar um conhecimento. Pareço mais um soldado raso em campo de batalha, nunca uma professora. Daí o resultado, todos são aprovados sem o mínimo preparo decente para a vida e para futuras profissões. É um desperdício de recursos, porque o foco do governo está errado. Não adianta exigir mais dos professores sem dar a mínima condição de trabalho. É necessário exigir mais seriedade dos alunos, como o maior interessado, não aprovando automaticamente sem que eles tenham aprendido realmente. Mas como o sistema condena o professor se reprovar, todos serão aprovados. No último ano de cada ciclo, todos deviam ter acumulado pontuação que comprove a sua eficiência e habilidades necessárias para prosseguir nos estudos do próximo ciclo, não lhes dando diploma para aqueles que comprovadamente sabemos que não nos obedeceram e não estão suficientemente preparados. Só quem frequenta e vive o dia-a-dia dentro das salas de aula que pode sentir este drama sem perspectiva de um futuro decente, mesmo com melhor das boas vontades.

    • Abelardo Responder

      Parece que você leu os meus pensamentos… se fosse na época da inquisição serias queimada…pois pensariam que você fosse alguma bruxa.
      Parabéns pelo texto, pois tenho certeza que estou falando com uma Professora de verdade, pois só que se preocupa com o ensino e que tem esta angústia de impotência e isto mata.

  13. martineia amaral Responder

    Também concordo com as questões da mensagem, porém gostaria de saber se as editoras estão a par do conteúdo do currículo mínimo, pois a maior dificuldade de nós professores é escolher um livro que atenda essa mudança. O conteúdo do currículo mínimo é um, e dos livros é outro, ficando o aluno e os professores “meios” perdidos. Sou professora de Ciências, no 9º ano foi uma mudança radical e os livros, (os que eu já vistoriei) não acompanham o conteúdo atual. abraços

  14. Fernando Responder

    Tudo na teoria é muito bonito. Como fazer uma educação sólida se não temos a solidez de quem está trabalhando com a educação, com algumas poucas exceções, com referência aos livros didáticos acredito que todos tem o seu valor,visto ter passado pela análise do MEC.O conteúdo de todos seguem um mesmo programa,pois se não fossem ,não seriam aprovados.Vejo muito mais a responsabilidade dos professores no seu compromisso social,no compromisso com a necessidade do cidadão do amanhã.Temos vários teóricos ditando o que deve ser feito,mas só na teoria, quero é ver na prática.O que mais me espanta é que os professores ainda não perceberam os grandes grupos econômicos do mundo todo, comprando editoras e produzindo material apenas visando lucros e mais nada.Vem com alguns apelos de coordenação pedagógica e dando cursos e palestras apenas criticando e mostrando que a nossa educação não está a nível de alguns países .Mas vale perguntar……o que nos falta na realidade? Não seria dar aos nossos alunos informações/conhecimentos/aprendizagem que tenham significados para o futuro destes nossos jovens?.

  15. Vanda Girardi Responder

    Não consigo entender porque colocaram somente 4 coleções de geografia para escolha, sendo que as coleções não contemplam na íntegra nossos PCNs.
    As coleções mais adotadas em anos anteriores não estão na escolha e são as melhores.
    Nunca vi um ano tão ruim em relação aos livros didáticos como 2013. Penso em não fazer a escolha.

  16. José Carlos Responder

    Talvez por isso é tão difícil de Escolher, Gostei dessa coleção que indiquei para a escola…..

  17. Máximo Heleno Responder

    Bem, não pude avaliar todos os comentários, pois o tempo “ruge”, como leio em redações.
    Duas questões, penso, escapam aos colegas: a primeira é a de sempre, tempo. Não preciso dizer a realidade dos professores, pois isso está bem dito. A questão é que não conseguimos dar vazão a todas as nossas turmas (e as atividades administrativas que, a cada dia, aumentam) e avaliar como se deve cada livro. Mais interessante, penso, é que as editoras se organizem e busquem agendar apresentações com as direções da escola.

    Outro ponto que li fala sobre o tamanho dos textos e a falta de interesse que os livros causam. Bem, há pouco tempo, fiz um curso para professores que quisessem estimular a leitura. Estranhei porque, ao final do curso, uma das críticas que a professora recebera era que tinha obrigado os alunos (nós) a ler três livros (com menos de 200 páginas cada e com letras enormes) em três meses. Fiquei sem saber o que dizer.

    Os livros estão ficando cada vez maiores, pois é preciso colocar figuras, fotos e aumentar o tamanho das letras, embora os textos diminuam… Enfim, não acho que estamos no caminho certo. O resultado, até agora, é jovens que não leem (e professores também) e que são uma tragédia na escrita.

    A simplificação está começando a dificultar tudo.

    Um abraço a todos e boa sorte ao país.

  18. Neuza Responder

    Sou professora da rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Sul. Quero manifestar aqui a minha indignação pela qualidade dos livros didáticos. Os livros contém textos enormes, não estão de acordo com os anos escolares. Falta exercícios de gramática e ortografia. Geralmente ficam sem uso, guardados nos armários dos professores. Feliz de quem guardou os livros dos anos 90, conforme comentário acima. Será que dá para melhorar?

  19. Geraldo J Loss Responder

    Lamentável a proliferação de coleções de Livros Didático, somente mudam os apelidos, mas os conteúdos sempre deixam a desejar. Acredito que uma reviravolta dos professores, poderia, talvez melhorar um pouco, isso se o sistema deixar.

    É lamentável.

  20. Cibele Responder

    Parabéns!
    Infelizmente professora a maioria dos professores de uma das escolas em que trabalho acredita, e isso é muito triste, que o livro didático deve expressar apenas um conteúdo mínimo e que os exercício devem ser bem diretos, e mais os professores acreditam que o potencial dos alunos é limitadíssimo. Então eu me pergunto: Como mudar, através da educação, um povo com profissionais que pensam de forma tão limitada? Como formar um cidadão que pense de forma crítico-reflexiva, se o professor assim não o faz?
    Obrigada, o texto me leva a refletir e a continuar “meu” caminho no sentido de transformação da realidade por que acredito num amanhã melhor, mais consciente, mais justo, mais cidadão.

  21. Maria Célia Alcantara Madureira Peres Responder

    O livro didático é muito importante para o aluno e professor, acontece que os alunos dificilmente trazem o livro para sala de aula e na escola não comporta guardar os livros. Os pais não têm compromisso em exigir que os filhos tragam o material certo, a escola, muitas vezes não têm com obrigar, porque a responsabilidade são dos pais em deixar isso acontecer. Gosto muito de trabalhar com o livro didático porque ele é um facilitador para a aprendizagem do aluno. Gostaria de receber os livros do 6º, 7°,8° e 9° ano de Língua Portuguesa.
    Obrigada

  22. Eunice Jesus Responder

    È concordo que o material didático deve está compatível ao PPP, pois o mesmo é elaborado de acordo a realidade dos educandos, dando prioridade a sua cultura local, suas vivências, para melhoria no ensino- aprendizagem.

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