Por que elegemos “Mavutsinim e o Kuarup” como o livro do mês de Março?

Havia cerca de 5 milhões de índios no que viria a ser o Brasil, quando os portugueses aqui chegaram, em 1500. Atualmente, a população indígena é estimada em pouco mais de 800 mil pessoas. Ao longo de cinco séculos, os diversos povos nativos – divididos em centenas de nações, com línguas, tradições e costumes próprios – foram escravizados, expulsos de suas terras, mortos por guerras e doenças ou “assimilados” pelos brancos. Hoje, há indígenas vivendo inclusive na periferia ou mendigando nas grandes cidades brasileiras. E há inúmeros conflitos de terra envolvendo fazendeiros e índios, como os que resultaram na morte de dezenas de Guaranis-Kaiowás no Mato Grosso do Sul.
Parte dos povos nativos, entretanto, habita o Parque Indígena do Xingu, entre os estados do Pará e do Mato Grosso. Nele, vivem 16 tribos. Entre estas, a dos Kamayurá, cujo mito da criação do mundo é descrito neste livro. Certo dia, Mavutsinim, o primeiro homem, resolveu reviver os mortos. Para isso, trouxe da floresta troncos de árvores – chamados kuarup – que enfeitou com penas, pinturas e colares, enquanto dois sapos e duas cotias cantavam em volta deles. Uma grande festa foi preparada, e os troncos já se transformavam em gente quando um dos índios, desobedecendo a um detalhe do ritual, pôs tudo a perder: o encantamento se quebrou, e os troncos voltaram a ser apenas madeira. Irritado, Mavutsinim sentenciou: os mortos jamais reviveriam, e aos Kamayurá restaria a festa em honra deles. Assim nasceu o kuarup, celebração que inclui alimentos, pinturas corporais, danças, cantos e até uma luta – a huka-huka. A festa tornou-se o evento mais famoso do Xingu, e já foi tema de livros e filmes.
 

Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.

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