Volta às aulas

Sentir-se acolhido por todos na escola e na sala de aula faz a diferença! Este é um convite para cuidar com delicadeza do [con]tato com sua turma.

 Primeiras ideias:

Todo início de ano letivo chega carregado de expectativas pessoais, subjetividades, afetos, devaneios, visões de mundo, impaciência, maturação, reflexão, sofrimento, desejos para o futuro e a possibilidade concreta de inventar caminhos e fazer escolhas coerentes e sensíveis. Essa sensibilidade pode ser educada para perceber e considerar as necessidades do outro. Questione a turma sobre as sutilezas do ato de acolher, sem atitudes paternalistas ou superprotetoras. Permita que os alunos apresentem exemplos e situações vividas por eles. Incentive perguntas reflexivas, como: quais foram as motivações e como se sentiram na situação? Anote na lousa as respostas, destacando os aspectos atitudinais que motivaram tais ações.

 Refletindo sobre valores:

Há muitas acepções para a palavra acolhimento: maneira de receber ou de ser recebido; consideração; abrigo e hospitalidade; local seguro, refúgio etc. É sempre uma via de mão dupla! Afinal, quem acolhe também é acolhido. Nas relações interpessoais acolhemos as diferenças e as semelhanças, os afetos e os pensamentos. É curioso constatar que a percepção humana de si permanece incompleta se não puder descobrir como cada um de nós é o outro do “outro”. Como diz o poeta Arnaldo Antunes, o corpo tem alguém como recheio. E quem é esse alguém na sala de aula? De quais recheios são constituídos: sabores, aromas, imagens, cores, sonoridades, movimentos, formas, texturas, entre outros? Um universo de experiências a considerar no corpo-recipiente, que ao mesmo tempo contém e ocupa espaços. Professor(a), encaminhe as reflexões para a valorização das atitudes de acolhimento na turma.

 É fundamental!

Educar a sensibilidade é poder encontrar os meios para identificar e extrair das coisas suas lições. Antes de explicar, temos que aprender a sentir.

 Atividade coletiva:

O retorno à escola pode ser uma boa oportunidade para acolher as descobertas vivenciadas pela turma durante as férias. Provavelmente, todos querem contar as novidades. Convide-os a elaborar cartões-postais, registrando as cenas e as histórias que gostariam de narrar aos amigos.  Aproveite para contar a história do cartão-postal e a importância que esse tipo de correspondência tem, desde o século XIX, para viajantes em férias. Segundo o site Wikipédia, “o cartão-postal é uma simplificação da carta. Trata-se de um pequeno retângulo de papelão fino, com a intenção de circular pelo Correio sem envelope, tendo uma das faces para o endereço do destinatário, postagem do selo, mensagem do remetente e, na outra, alguma imagem”.

Providencie os cartões recortando-os em papel mais encorpado e deixe que a turma relembre os melhores momentos das férias, entre desenhos coloridos e pequenos textos. Se possível, apresente alguns postais encontrados em banca de jornal. Ao final, cada aluno apresenta, na roda de conversa, sua produção e conta com mais detalhes a experiência vivida. Incentive-os a ouvir com atenção, mantendo o respeito e a delicadeza da escuta para que todos se sintam acolhidos nesse momento. Se puder, amplie para uma exposição dos trabalhos e, quem sabe, a troca de postais entre outras turmas e escolas do bairro.

 Sistematizando:

Resgate com os alunos os conceitos inicias sobre acolhimento, usando as anotações das primeiras ideias da turma. Em seguida, incentive os comentários sobre o quanto aprenderam com as experiências do outro. Direcione as reflexões para a construção de atitudes acolhedoras que tenham o objetivo de manter o bem-estar de todos.

Crédito ilustração: Tania Ricci

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